Palco, presença e convite
“Não é sobre você. Mas quanto mais de você, mais legal. (...)
(...) Não na fala, só na presença.”
Quando se é convidada para ser a voz condutora de um momento tão simbólico e importante como uma celebração de casamento, é óbvio que este momento não é “sobre você”. Obviamente, este momento não era mesmo sobre mim. Eu seria apenas veículo. Porta-voz de uma mensagem.
Quanto mais de você, mais legal.
Eu sabia disso, mas ouvir essas palavras de um amigo (oi, Biel! obrigada pela conversa naquele dia) fez bastante diferença. O texto já estava pronto há um tempo, mas se eu tinha alguma dúvida sobre o tom e a maneira de conduzir aquela cerimônia, não tive mais.
Isso porque não me propus a performar nada que eu já não fosse. Nenhum tom tãao formal, mas nada casual demais. Eu tenho um estilo de escrita e condução, e o respeitei. Foi divertido e profundo na mesma medida. A postura de quem levou aquela missão muito a sério mas soube curtir o percurso com os noivos. Espontaneidade. Apesar do texto trabalhado, eu decidi ser espontânea e estar presente.
Trabalhei no texto, nas pausas, onde gostaria de colocar intenção. E rabisquei o papel inteiro. Na hora, fui tão somente… eu.
Se eles desejassem protocolo padrão e formalidade específica, eu não teria sido a convidada para estar ali. Não há melhor ou pior, há o que a gente prefere. Foi o que preferiram. Na semana anterior, Paola me falou que “não podia estar mais tranquila com essa escolha”. E isso me deixou muitíssimo tranquila também.
O fio condutor de todo o texto foi a palavra Encontro, e peguei emprestada da Hilda Hilst a pergunta que abriu a celebração: “o que sabemos sobre o amor?”. Falei de um encontro que poderia nunca ter acontecido, e de um amor generoso que cabe muita muita gente dentro. Foi especial. (Isso é tudo que vou dividir do texto, afinal, não é sobre mim). Mas por mais que eu já soubesse de tudo o que escrevi acima, que defenda essa posição há anos através do meu trabalho, tanto na fotografia quanto no branding pessoal, estar num lugar novo me reforçou essa perspectiva.
Estar a frente do altar, de outro lado, olhando para os noivos e para todos os convidados (essa visão única), sendo veículo e testemunha do amor e da decisão de um casal que amo, me lembrou que o nosso jeito de fazer todas as coisas é que faz a diferença na maneira que ocupamos os espaços que nos são destinados.
É por esse motivo que nos escolhem.
Ainda que não seja sobre a gente, pode e deve ser do nosso jeito.
O seu empreendimento só existe como ele é porque tem esse tanto de você nele (seja nos processos, seja na entrega, seja na cultura estabelecida,…). Os seus projetos têm o contorno que tem por conta da sua forma de enxergar, de ver o mundo, de fazer tudo.
O que você acredita e defende, aquilo que não abre mão.
O seu critério. O seu inegociável.
O seu conteúdo nas redes sociais, os textos que escreve para compartilhar determinado ponto de vista, as ideias que pensa em materializar. Sempre que se flagrar questionando e duvidando se aquilo realmente importa, se perguntando se não está sendo muito autorreferente, (eu sei que você já pensou isso quando se colocou em evidência), lembre-se que a sua experiência e o seu jeito de fazer é que tornam cada uma dessas coisas realmente especial.
Mais de você é mais legal. É o que vai permitir que a gente se conecte uns aos outros, também.
Eu quero saber como você pensa e vê todas as coisas. Nós queremos. Como se põe diante do mundo. Desejo que cada vez mais compartilhe sim o que vê, e se espalhe da sua maneira pelos seus ambientes.
Pode ser que não na fala, em si, como fiz no texto da cerimônia. Mas mais de você na sua postura, na sua presença, no seu tom. Na sua forma de costurar e editar um texto. Só sua. No seu olhar para curadoria e seleção. Só seu. Na forma como conta uma história. Os detalhes de uma entrega e como responde cada pessoa que te escreve.
Desejo que a gente possa colocar mais de nós nas nossas coisas, decisões, empreitadas e espaços.
Existe um ponto de vista que te pertence e é somente seu. E eu quero saber qual é. Aposto que é bem mais legal.
Até a próxima!
Beatriz.
Puxando Fios
Uma música para ouvir
Me calo
Porque as vezes o som das
Palavras precisam do mudo
Balanço de Amor, Leo Middea.
Um poema para ler
Esse lugar
De onde fugimos
É o exato lugar
Onde podemos nos reconhecerCristina Rioto
Uma artista para conhecer
Essa mulher que tenho o prazer e o privilégio de chamar de conhecer e admirar, a artista Alice Dote e seu projeto (primeira exposição individual!) mais recente “O nome disso não é fome".
Num tempo onde temos sido lembradas diariamente sobre o que é ser mulher neste mundo (não que a gente esqueça por um segundo…); há dias que só a arte salva. Um pouco de fôlego e de inspiração em forma de potência. Onde a lógica é subvertida por um momento.
Afinal, por que só os corpos das mulheres é que são pintados? (clique aqui).
NÓS, um espaço para ampliar olhar e repertório
Se você tem acompanhado o meu contéudo no Instagram, viu que comecei a compartilhar sobre este novo projeto, o NÓS. Não é um curso, como você pode imaginar. Está mais para uma curadoria (humana) de repertório. O nosso clube. (A portas fechadas).
Uma porta para o mundo, para novas referências, encontros e possibilidades. Eu acredito que quanto mais a gente amplia a bagagem, convive com ideias diversas e acessa outras experiências, mais crescemos como indivíduos. Por isso tô criando esse espaço, um acervo-infinito particular. Um espaço que provoca reflexão através da fotografia, da beleza, da música, da arte e da escrita.
As inscrições irão abrir na segunda-feira, dia 9 de março. Se você quiser acompanhar de perto a abertura, pode entrar neste grupo de whatsapp onde estou dividindo informações: clique aqui.
Para que você se prepare, o valor de investimento será R$ 489 à vista, ou 6x R$ 92,00, numa assinatura semestral. Além disso, quem se inscrever nas primeiras 24 horas ganha de presente um encontro ao vivo comigo e a galera participante, pra gente se conhecer (ou matar a saudade com quem já é de casa) e começar junto. Vamos?
Obrigada
Quem chegou até aqui, saiba que tem o meu respeito e o meu apreço. Me escreve de volta se sentir vontade! Leio cada mensagem com muito carinho e alegria ♥︎
Oi! Sou a Beatriz, a autora dessas Perspectivas Singulares. Sou fotógrafa, diretora criativa, consultora de marcas pessoais artista. Trabalho com branding, expressão visual e estratégica, contribuindo para que pessoas construam uma imagem, um negócio e um posicionamento que é delas de verdade. Quer criar junto? Manda um oi para btrz@biabrito.com.








viva nós e todas as nossas versões. amei o texto...